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Artigo de
Rosane D’Andréa
Repórter do jornal “Tribuna Impressa”, Araraquara -SP
Publicado em 10 de março de 2002
Com muita festa, o cantor Gonzalo Cortez encerrou sua carreira, com o lançamento
do CD “Sempre Romântico”, na noite de quinta-feira, 7 de março de 2002, no
salão social do Melusa Clube, em Araraquara - SP. Afinal, foram 61 anos de
carreira vividos na maior plenitude e sempre com um repertório extremamente romântico.
Nascido
como Werther Pablo Bauric Alvarez, em Montevidéu, no Uruguai, adotou o nome artístico
Gonzalo Cortez e rumou para o Brasil com 19 anos de idade e algumas partituras
de piano debaixo do braço. “Recebi um convite de meus conterrâneos que
moravam aqui, fiz as malas e arrisquei tentar a carreira artística aqui no
Brasil”, relembra.
Sempre
romântico e cantando boleros, seu primeiro emprego em terras brasileiras foi na
rádio de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Logo ao chegar disse: “Sou
cantor e gostaria de cantar aqui”. Não deu outra. Fez um teste e
imediatamente foi contratado. Depois foi para Caxias do Sul, Porto Alegre e
outras cidades do interior gaúcho.
Sempre
cantando sozinho, certo dia foi chamado pelo intendente da Rádio e Emissoras
Associadas do Rio Grande do Sul, Osvaldo Chateaubriand, irmão do Assis, para
trabalhar em Minas Gerais. “Não sabia nem onde ficava, mas como meu negócio
era cantar, lá fui eu”, conta. De Minas Gerais foi para São Paulo. Terminada
a temporada na capital começou uma turnê pelo interior do Estado e passou por
Piracicaba, Bauru, Campinas, entre outras.
Era
a época de ouro do rádio no Brasil e Gonzalo fez grandes amizades e conheceu
diversos ídolos, como Ângela Maria, Carlos Galhardo, Emilinha Borba, Valdir
Azevedo e muitos outros grandes artistas. “Naquela época conheci Linda
Batista. Depois de me ver cantando, ela falou com o seu produtor e disse:
“Manda o gringo aqui para São Paulo que ele está pondo a gente no bolso, e lá
fui eu”, conta sorridente. Da rádio para a televisão foi um pulo e um das
grandes satisfações de sua vida foi cantar na televisão. “Fui contratado
pela TV Tupi e me orgulho de ter sido o primeiro artista do Uruguai a fazer
televisão”.
Carreira
consolidada, Gonzalo Cortez conquistou os cariocas e gravou seu primeiro disco,
uma coletânea de tangos, no Rio de Janeiro. “Depois, pela gravadora
Continental gravei com Severino Araújo e a Orquestra Tabajara, um disco em 78
rotações. Na Copacabana gravei três boleros: Angustia, Tu Precio e
Historia de Amor, recorde de vendas na época”, conta. O sucesso era tão
grande que ganhou até um fã clube. “Me consideravam o “príncipe do
bolero”. Ingressei na orquestra Cassino de Sevilha, onde fiquei durante 12
anos e gravei vários discos. Fiz uma produção independente, lançada pela
Cia. Industrial do Disco (CID), e gravei Ave Maria e vários outros sucessos”,
conta. Uma das grandes alegrias de sua vida foi quando, em 1969, gravou a música
“Love is all”. Fez uma versão e gravou em castelhano.
Mas
o que fez Gonzalo Cortez fixar residência em Araraquara? Eternamente romântico,
foi o amor de uma mulher. “Trabalhei como divulgador da Som Livre e viajava
pelo interior do Estado de São Paulo. Em 1972 vim fazer um baile aqui, no Clube
Palmeiras e conheci Helena, minha esposa. Foi amor a primeira vista e estamos
juntos até hoje”, explica. Depois de muitas viagens, sempre com Helena junto,
resolveu morar definitivamente em Araraquara, depois do nascimento de sua
primeira neta.
Hoje se considera um homem feliz e extremamente realizado em sua carreira profissional. “A vida do artista tem altos e baixos. Eu comecei devagar, alcancei o sucesso e em todos os lugares em que me apresentei, sempre fui muito bem recebido e muito aplaudido. Viajei para a América toda e me considero um artista realizado, finaliza.
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